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OS MEUS LIVROS

LUÍS MAGALHÃES - CÀV 4 - CARTAS EM NOME DO AMOR EDIÇAO EXTRA 621 páginas Contraditório Judaico ao B´rit Hadashah D-US NÃO QUER SACRIFÍCIOS HUMANOS

terça-feira, outubro 02, 2012

DESPEDIDA E ESCATOLOGIA




  • Boa tarde amigos 
    Estou comunicando que estou saindo do grupo pois não tenho mais tempo como gostaria, estou de mudança para outro país e terei muito trabalho pela frente, virei menos na net.
    Agradeço a todos pelos bons momentos que passei aqui no grupo.
    Aprendi muito, ampliei os meus conhecimentos e conheci pessoas maravilhosas.
    Um grande abraço.


  • PUBLICAÇÕES MAIS ANTIGAS







  • Este é um grupo voltado a desmistificar o "uso" da vida e da morte. E a fazer das nossas vidas serviço q.b.
    Por favor, Chaverim (chaveirim) e não postem nenhum tipo de anúncio comercial, pois o grupo é voltadO para debates filosóficos e científicos não se constituindo num espaço comercial.

    Aos que estão entrando no grupo, dou as boas vindas e peço para que leiam os textos postados no ícone Ficheiros.

    Hag Sucot Sameach chaverim!!!

    Uma semana maravilhosa de Sucot: http://nazarenespace.com/profiles/blogs/birth-of-yeshua-at-sukkot na companhia do Eterno, nosso D'us! B'H!!! @;-)

    http://www.shalomdaycamps.com/

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  • Atenção: Não há no âmbito das igrejas evangélicas protestantes um Magistério que tenha a prerrogativa de estabelecer normas éticas que deveriam ser seguidas por todos os fiéis. Nem poderia haver. Na tradição da Reforma protestante estas igrejas não (re)conhecem uma instância eclesiástica autoritativa, muito menos infalível, em questões morais, mas os seus pastores e pastoras têm a responsabilidade de, baseados na Bíblia e nos seus valores evangélicos, orientar as pessoas implicadas ao discernimento ético, fortalecendo-as a tomarem, simultaneamente em liberdade e responsabilidade, as suas próprias decisões diante de D'us.
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  • Matemática divertida é na Dragões. Porque é sempre a somar.
    Descobre supernúmero...Ver mais


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    • Luís Magalhães E o que se deve fazer, como processo de cura, para ajudar, se estas que aparecem na face são umas vítimas? As Igrejas devem ser ecclesiae (i. e., melhor no singular ecuménico: Ecclesia Semper Purificanda et Renovanda: Igreja que precisa continuamente de purificação e renovação. Uma eclesiologia, portanto, deve ser apologeticamente certa, no sentido de defender a estrutura permanente da natureza da Igreja desejada por Yeshua, mas não deve defender tudo da Igreja; também deve indicar formas de renovação nas pegadas da maturação.
    • Luís Magalhães Em muitos países, estamos indo ao encontro de um novo tipo de situação de diáspora, em que os cristãos convictos e praticantes, católicos e não católicos juntos, ainda constituem uma grande minoria, mas não são mais a maioria. O Papa Bento XVI falou de minoria qualitativa, desperta e criativa.
    • Luís Magalhães Mas inclusiva?
    • Luís Magalhães Inclusiva parece ser, segundo li na net ahttp://ecclesiavetcat.no.sapo.pt/EdificacaoSantuario.html 

      ecclesiavetcat.no.sapo.pt
      A Igreja Apostólica Episcopal (Vetero-Católica) é membro da Comunhão de Igrejas...Ver mais
    • Luís Magalhães http://ecclesiavetcat.no.sapo.pt/SobreNos.html 

      ecclesiavetcat.no.sapo.pt
      A Igreja Apostólica Episcopal (Vetero-Católica) é membro da Comunhão de Igrejas...Ver mais
    • Luís Magalhães Informem-se...
    • Luís Magalhães http://rumosnovos-ghc.blogs.sapo.pt/ 

      rumosnovos-ghc.blogs.sapo.pt
      Para todos os que crescemos à sombra da ICAR, uma reflexão sã sobre a sexualidad...Ver mais
    • Luís Magalhães E com isso nos encontramos diante da questão basilar da eclesiologia de hoje. Ela não pode tratar apenas de questões estruturais dentro internas à Igreja. Deve fazê-lo, também, obviamente. Mas, acima de tudo, deve pôr a questão da Igreja à luz da questão de Deus. A eclesiologia, portanto, pode ser não apenas hierarcologia, da qual se interessam os insiders, mas não as pessoas de fora. A eclesiologia deve ser teologia, isto é, discurso (logos) sobre Deus (theos). Isso é o que tenta fazer a eclesiologia que eu proponho. Mais exatamente, ele tenta tratar a eclesiologia no horizonte da escatologia, portanto, da mensagem do reino vindouro de Deus e da esperança que ele nos dá. A esperança hoje é mercadoria escassa. O próprio Jesus provavelmente nunca falou explicitamente da Igreja, mas sim do reino de Deus; a Igreja é o seu sinal e instrumento. Dito teologicamente: a Igreja é quase-sacramento, isto é, sinal que já torna presente e instrumento do reino incipiente de Deus, reino de verdade, de justiça, de santidade e de felicidade.
    • Luís Magalhães A Igreja não é um povo qualquer: ela é o povo de Deus, é uma realidade de gênero próprio. Trata-se, portanto, da realização da realidade do povo de Deus, onde todos são filhos e filhas de Deus, irmãos e irmãs na mesma família de Deus. Na revelação, D'us fala aos seres humanos como a amigos e se entretém com eles. Daí, a vida da Igreja também deveria ser caracterizada por um estilo comunicativo, participativo e dialógico de fraternidade, amizade e confiança e por uma cultura do diálogo disposta à escuta e à aprendizagem.
    • Luís Magalhães Por isso, devemos nos admirar pelo fato de que, recentemente, alguns levantaram suspeitas sobre a pura palavra "diálogo", banindo-a do uso linguístico eclesial, quase querendo-a tornar objeto de um anátema.
    • Luís Magalhães Devemos simplesmente saber o que se entende por diálogo. Diálogo não significa conversa informal, nem mesa redonda, nem disputa acadêmica, nem manifestação informativa, nem negociação política, nem procedimento quase parlamentar. No diálogo, não compartilhamos algo com o outro, mas compartilhamos com ele a nós mesmos ou, melhor, compartilhamos a nós mesmos. O diálogo, entendido teologicamente, significa dar-se um recíproco testemunho, cada um, da própria fé e, desse modo, participar da riqueza do outro, deixar-se enriquecer, mas depois compreender ainda melhor e mais profundamente a própria fé. Por isso, no diálogo, não nos encontramos no nível do mínimo denominador comum. O diálogo não tem nada a ver nem com o relativismo, nem com o sincretismo. Ao contrário; através do diálogo, somos introduzidos mais profundamente na verdade e, mediante isso, somos enriquecidos, especialmente no diálogo ecumênico, na nossa compreensão da verdade.

      Se, nesse sentido, queremos traduzir na prática a realidade da communio da Igreja na realidade concreta, então disso faz parte a comunicação, e isso quer dizer dar nova vida e reforçar as instituições sinodais na Igreja, tanto em nível local quanto universal. Tal renovação não é algo a ser fazer ex novo. A Igreja, a partir do concílio dos Apóstolos, tem uma tradição sinodal, cuja redescoberta poderia dar à Igreja um rosto jovem, fresco e uma forma renovada.
    • Luís Magalhães O ideal me parece estar descrito na Regra de São Bento. Para São Bento, o abade tem um lugar importante na comunidade monástica; por assim dizer, ele representa Jesus Cristo. Mas, no caso de decisões importantes, diz Bento, ele deve ouvir o conselho dos coirmãos e deve ouvir também o mais jovem, porque o Espírito Santo também pode falar através dele. Depois de ter se consultado, continua Bento, o abade deve refletir sobre tudo, rezar por isso e depois deve decidir, isto é, ele não é o executor de nenhum voto democrático; decide livremente, mas decide com base em uma consulta. Autoridade e fraternidade, portanto, se integram e se condicionam mutuamente. Na Igreja, deve haver auctoritas, na acepção original da palavra, de augere, crescer. Autoridade que não oprime a vida, mas que fundamenta a vida, multiplica a vida, faz crescer a vida e promove a vida.
    • Luís Magalhães Ao diálogo voltado para dentro, corresponde o diálogo voltado para fora: o diálogo com o povo de Deus da Antiga Aliança; o diálogo ecumênico e o diálogo com as outras religiões; o diálogo com a cultura de hoje e com todos os seres humanos de boa vontade. Com esses diálogos, o Concílio indicou o caminho no futuro: de uma Igreja que se entende como uma rocha e fortaleza fechada a uma Igreja comunicativa e aberta ao diálogo. Diálogo não significa renunciar à própria identidade; significa, ao invés, crescer na própria identidade. Porque, para a identidade cristã, no seguimento de Jesus, é essencial o ser para os outros e com os outros. Isso exclui tanto a adaptação quanto uma mentalidade ansiosa, que se isola para cultivar o próprio território circunscrito.

      Disso faz parte, particularmente na nossa situação, o diálogo ecumênico. É tarefa dada por Jesus e é impulso e obra do Espírito Santo. A decisão a propósito, portanto, é irreversível e irrevogável; é um canteiro de obras importante da Igreja do futuro. Alcançamos muito e já podemos colher frutos. Mas ainda há questões sérias diante de nós. Ainda não chegamos à meta. Não é só a questão do ministério, mas a questão do ministério em relação com a da Igreja. Pois – algo que nenhum especialista contestará – assim como nós temos com os protestantes uma concepção diferente da Igreja, nós também temos uma concepção diferente da unidade da Igreja. Aqui tocamos as dificuldades fundamentais do diálogo ecumênico hoje. Apesar dessas dificuldades, também devemos fazer juntos o que podemos já hoje, na verdade e no amor.

      Obviamente, o diálogo inter-religioso também é um mandamento desta época. É a alternativa à violência e ao choque de culturas, etnias e religiões. Mediante tal diálogo na verdade e no amor, a Igreja, como povo escatológico de Deus, pode ser, em meio aos conflitos do nosso mundo, exemplo e instrumento da paz (shalom) escatológica.
    • Luís Magalhães Se nós, movendo-nos a partir dessa alegria, como povo de D'us, regozijamo-nos na Igreja, a Igreja também viverá amanhã e terá futuro depois de amanhã. Então, ela se tornará esplend...Ver mais

  • A minha mãe disse-me: “Se fores soldado, hás de ser general. Se fores monge, hás de ser Papa”. Em vez disso, quis ser pintor. E tornei-me Picasso.
    Pablo Picasso
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  • http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4032909,00.html » informo o amado chaver Ya'akov Uriel BenYisrael acerca de escatologia. E ainda estou à espera da sua bendita resposta às minhas perguntas sobre Yeshua...
    PARECE QUE É MESMO SE O ETERNO QUISER...
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    Prominent rabbis from the Lithuanian ultra-Orthodox sector have offered their own curious interpretations for the upheaval that is spreading through the Middle East, stating that the events are a clear proof that a higher power is at work.
    The cellular portal Haredim, which offered a collection of responses on the matter, quoted Rabbi Aharon Leib Steinman
    Rabbi, the leader of the ultra-Orthodox Lithuanian sector in Bnei Brak, as blaming the instability in the region on contemptuous attitudes towards Torah study.

    "Recently it appears that there is a powerful effort to destroy and agitate the world of the Torah, through various attempts to prosecute kollels and yeshiva students," Steinman said. "When you try to agitate the world of the Torah, G-d agitates the world."

    Steinman explained that the sages of the Talmud teach that there is a connection between Torah study and the existence of the world.

    "G-d does great and strange things in the world, to make them deal with the (disasters) instead of looking for ways to mind those observing the Torah and the mitzvot," he said. "Because if they don't study, it will continue to move closer to us."
    Carmel fire as punishment?
    Rabbi Chaim Kanievsky, an unconventional Lithuanian leader who is believed to have mystic powers, offered a different explanation. "It is evident that many unnatural things are happening," he said. "People have come to me and said that it's 'Gog and Magog'. We cannot know. But it's probable that any unrest that God creates shows that the Messiah is coming, and that we must begin to prepare for it and become stronger."

    Another prominent rabbi, Michel Yehuda Lefkowitz, is certain that G-d is causing the turmoil in order to put the people in their place.

    "G-d goes and humiliates (those feeling) sinful pride," he said. "At first there was this little fire here, and a state that thought that it is big and strong suddenly needed help from the entire world. Not a war, nothing special, just a small fire.

    "When they continued to think that they are smart, and see everything and understand what to do and how to do it, G-d came and disturbed the nations, and here they are, scared again because they could not predict such a big thing, and again they do not know what to do," he added. "G-d is laughing at them, waiting to see when they will understand and become wiser."


    The one who does not see that G-d is running the world, Lefkowitz concluded, is not evil, but a fool.

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  • http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4032909,00.html » informo o amado chaver Ya'akov Uriel BenYisrael acerca de escatologia. E ainda estou à espera da sua bendita resposta às minhas perguntas sobre Yeshua...

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  • http://www.facebook.com/groups/massoret/


    • O grupo Tradição dá as boas vindas à todos os membros. Aqui você posta e divulga todo e qualquer material relacionado à tradição e à cultura judaica, seja este em forma de texto, imagem ou música. 01...
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  • http://www.facebook.com/groups/chabadlubavitchsemmentiras/


    • Grupo para discutir as atividades de uma crescente seita fundamentalista missionária messiânica que se diz judaica , propaga um racismo de almas e recebe imensas doações de judeus bilionários e milion...
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  • http://www.facebook.com/groups/jewishmusicchannel/


    • O grupo Jewish Music Channel dá as boas vindas à todos os membros. Aqui você posta e divulga todo e qualquer material relacionado à música judaica, seja este em forma de texto, imagem ou música. 01. ...
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    • O grupo Likrat Shabat dá as boas vindas à todos os membros. Aqui você posta e divulga todo e qualquer material relacionado à shabat, seja este em forma de texto, imagem ou música. 01. Por motivo de s...
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    • Grupo voltada à desmistificar o uso ancestral e atual da Ayahuasca , da vida e da morte . Por favor , não postem nenhum tipo de anúncio comercial , pois a comunidade é voltada para debates filosófico...
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  • A ORIGEM MÍSTICA DE LILITH – A PRIMEIRA MULHER DE ADÃO ANTES DE EVA

    ADÃO: MACHO E FÊMEA

    O primeiro capitulo da Bíblia, conta a história de Adão e Eva ...mas segundo o Zohar (comentário rabínico dos textos sagrados), Eva não é a primeira mulher de Adão. Quando Deus criou o Adão, o Criador o fez macho e fêmea, depois
    cortou-o ao meio, chamou a esta nova metade Lilith e deu-a em casamento a Adão. Mas Lilith recusou, não queria ser oferecida a ele, tornar-se desigual, inferior, e fugiu. Deus tomou uma costela de Adão e criou Eva, mulher submissa, dócil, inferior perante o homem.
    De acordo com Hermínio, "Lilith foi feita por Deus, de barro, à noite, criada tão bonita e interessante que logo arranjou problemas com Adão". Esse ponto teria sido retirado da Bíblia pela Inquisição. O astrólogo assinala que ali começou a eterna divergência entre o masculino e o feminino, pois Lilith não se conformou com a submissão ao homem.

    O mito de Lilith pertence à grande tradição dos testemunhos orais que estão reunidos nos textos da sabedoria rabínica definida na versão jeovística, que se coloca lado a lado, precedendo-a de alguns séculos, da versão bíblica dos sacerdotes. Sabemos que tais versões do Gênesis - e particularmente o mito do nascimento da mulher - são ricas de contradições e enigmas que se anulam. Nós deduzimos que a lenda de Lilith, primeira companheira de Adão, foi perdida ou removida durante a época de transposição da versão jeovística para aquela sacerdotal, que logo após sofre as modificações dos pais da igreja.

    REBELDIA FEMININA

    No Talmude, ela é descrita como a primeira mulher de Adão. Ela brigou com Adão, reivindicando igualdade em relação a seu marido, deixando-o "fervendo de cólera". Lilith queria liberdade de agir, de escolher e decidir, queria os mesmos direitos do homem mas quando constatou que não poderia obter status igual, se rebelou e, decidida a não submeter-se a Adão e, a odia-lo como igual, resolveu abandona-lo. Segundo as versões aramaica e hebraica do Alfabeto de Ben Sirá (século 6 ou 7). Todas as vezes em que eles faziam sexo, Lilith mostrava-se inconformada em ter de ficar por baixo de Adão, suportando o peso de seu corpo. E indagava: "Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual." Mas Adão se recusava a inverter as posições, consciente de que existia uma "ordem" que não podia ser transgredida. Lilith deve submeter-se a ele pois esta é a condição do equilíbrio preestabelecido. Vendo que o companheiro não atendia seus apelos, que não lhe daria a condição de igualdade, Lilith se revolta, pronuncia nervosamente o nome de Deus, faz acusações a Adão e vai embora; é o momento em que o Sol se despede e a noite começa a descer o seu manto de escuridão soturna, tal como na ocasião em que Deus fez vir ao mundo os demônios.

    DOR DO ABANDONO - A SOLIDÃO DE ADÃO

    Adão sente a dor do abandono; entorpecido por um sono profundo, amedrontado pelas trevas da noite, ele sente o fim de todas as coisas boas. Desperto, Adão procura por Lilith e não a encontra: Procurei-a em meu leito, à noite, aquele que é o amor de minha alma; procurei e não a encontrei" (Cântico dos Cânticos III, 1). Lilith partiu rumo ao mar vermelho (Diz-se que quando Adão insistiu em ficar por cima durante as relações, Lilith usou seus conhecimentos mágicos para voar até o Mar Vermelho). Lá onde habitam os espíritos malignos, segundo a tradição hebraica. É um lugar maldito, o que sugere que Lilith se afirmou como um demônio, e é o seu caráter demoníaco que leva a mulher a contrariar o homem e o questionar em seu poder. Desde então, Lilith tornou-se a noiva de Samael, o senhor das forças do mal do Outro Lado. Como conseqüência, deu à luz toda uma descendência demoníaca, conhecida como "Liliotes ou Linilins", na prodigiosa proporção de cem por dia.

    EVA: A MULHER SUBMISSA

    Alguns escritos contam que Adão queixou-se a Deus sobre a fuga de Lilith e, para compensar a tristeza de Adão, Deus resolveu criar Eva, moldada exatamente como as exigências da sociedade patriarcal. A mulher feita a partir de um fragmento de Adão. É o modelo feminino permitido ao ser humano pelo padrão ético judaico-cristão. A mulher submissa e voltada ao lar. Assim, enquanto Lilith é força destrutiva (o Talmude diz, pejorativamente, que ela foi criada com imundície e lodo), Eva, a submissa, é construtiva e Mãe de toda Humanidade (ela foi criada da carne e do sangue de Adão).
    Deus tenta salvar a situação, primeiro ordenando-lhe que retorne e, depois, enviou ao seu encalço uma guarnição de três anjos, Sanvi, Sansavi e Samangelaf, para tentar convencê-la; porém, uma vez mais e com grande fúria, ela se recusou a voltar. Lilith está irredutível e transformada. Ela desafiou o homem, profanou o nome do Pai e foi ter com os espíritos das trevas. Como poderia voltar ao seu esposo? Os anjos ainda ameaçaram: "Se desobedeces e não voltas, será a morte para ti." Lilith , entretanto, em sua sapiência demoníaca, sabe que seu destino foi estabelecido pelo próprio Deus. Ela está identificada com o lado demoníaco e não é mais a mulher de Adão. Acasalando-se com os diabos, Lilith traz ao mundo cem demônios por dia, os Lilim, que são citados inclusive na versão sacerdotal da Bíblia. Deus, por seu lado, inicia uma incontrolável matança dessas criaturas, que, por vingança, são enfurecidas pela sua genitora. Está declarada a guerra ao Pai. Os homens, as crianças, os inválidos e os recém-casados, são as principais vítimas da vingança de Lilith. Ela cumpre a sua maligna sorte e não descansará assim tão cedo.
    Uma outra versão diz que foram os anjos que mataram os filhos que tivera com Adão. Tão rude golpe transformou-a, e ela tentou matar os filhos de Adão com sua segunda esposa, Eva.

    PODER SOBRE AS CRIATURAS

    Lilith Alegou ter poderes vampíricos sobre bebês, mas como os anjos a queriam impedir, fizeram-na prometer que, onde quer que visse seus nomes, ela não faria nenhum mal aos humanos. Então, como não podia vencê-los, ela fez um trato com eles: concordou em ficar afastada de quaisquer bebês protegidos por um amuleto que tivesse o nome dos três anjos. Não obstante, esse ódio contra Adão e contra sua nova (e segunda) mulher, Eva, resultou, para Lilith, no desabafo da sua fúria sobre os filhos deles e de todas as gerações subseqüentes.
    A partir daí, Lilith assume plenamente sua natureza de demônio feminino, voltando-se contra todos os homens, de acordo com o folclore assírio, babilônico e hebraico. E são inúmeras as descrições que falam do pavor de suas investidas.
    ORGASMOS DEMOLIDORES
    Conta-se, por exemplo, que Lilith surpreendia os homens durante o sono e os envolvia com toda sua fúria sexual, aprisionando-os em sua lasciva demoníaca, causando-lhes orgasmos demolidores. Ela montava-lhes sobre o peito e, sufocando-os (pois se vingava por ter sido obrigada a ficar "por baixo" na relação com Adão), conduzia a penetração abrasante. Aqueles que resistiam e não morriam ficavam exangues e acabavam adoecendo. Por isso Lilith também está identificada com o tradicional vampiro. Seu destino era seduzir os homens, estrangular crianças e espalhar a morte.
    Durante os primeiros séculos da era cristã, o mito de Lilith ficou bem estabelecido na comunidade judaica. Lilith aparece no Zohar, o livro do Esplendor, uma obra cabalística do século 13 que constitui o mais influente texto hassídico e no Talmude, o livro dos hebreus. No Zohar, Lilith era descrita como succubus, com emissões noturnas citadas como um sinal visível de sua presença. Os espíritos malignos que empesteavam a humanidade eram, acreditava-se, o produto de tais uniões. No Zohar Hadasch (seção Utro, pág. 20), está escrito que Samael - o tentador - junto com sua mulher Lilith, tramou a sedução do primeiro casal humano. Não foi grande o trabalho que Lilith teve para corromper a virtude de Adão, por ela maculada com seu beijo; o belo arcanjo Samael fez o mesmo para desonrar Eva: E essa foi a causa da mortalidade humana. O Talmude menciona que "Quando a serpente envolveu-se com Eva, atirou-lhe a mácula cuja infecção foi transmitida a todos os seus descendentes... (Shabbath, fol. 146, recto)". Em outras partes, o demônio masculino leva o nome de Leviatã, e o feminino chama-se Heva. Essa Heva, ou Eva, teria representado o papel da esposa de Adão no éden durante muito tempo, antes que o Senhor retirasse do flanco de Adão a verdadeira Eva (primitivamente chamada de Aixha, depois de Hecah ou Chavah). Das relações entre Adão e a Heva-serpente, teriam nascido legiões de larvas, de súcubos e de espíritos semiconscientes (elementares).

    O SURGIMENTO DO LEVIATÃ

    Os rabinos fazem de Leviatã uma espécie de ser andrógino infernal, cuja a encarnação macho (Samael) é a "serpente insinuante" e a encarnação fêmea (Lilith), é a "cobra tortuosa" . Segundo o Sepher Emmeck-Ameleh, esses dois seres serão aniquilados no fim dos tempos: "Nos tempos que virão o Altíssimo (bendito seja!) decapitará o ímpio Samael, pois está escrito (Is. XVII, 1): 'Nesse tempo Jeová com sua espada terrível visitará Leviatã, a serpente insinuante que é Samael e Leviatã, a cobra tortuosa que é Lilith' (fol. 130, col. 1, cap.XI). Também segundo os rabinos, Lilith não é a única esposa de Samael; dão o nome de três outras: Aggarath, Nahemah e Mochlath. Mas das quatro demônias, só Lilith dividirá com o esposo a terrível punição, por tê-lo ajudado a seduzir Adão e Eva. Aggarath e Mochlath tem apenas um papel apagado, ao contrário do que acontece com as outras duas irmãs, Nahemah e Lilith.

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  • Luís Magalhães actualizou a descrição.
    TUDO O QUE PROVOQUE O ATO DE APREENDER E INTUIR... A desilusão é o começo da verdadeira vida. Tornamo-nos homens e mulheres quando saímos das ilusões para entrar no real. É o que se verifica em todas as circunstâncias: educação, casamento, divórcio, caridade.

    Com base em Abbé Pierre
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  • Luís Magalhães alterou o nome do grupo "POMAR NUMA VÁRZEA - MAZAL".
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  • ‎(M) Unfortunately most of them have never actually read the Bible...
    Being Liberal Wall Pictures

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  • Há uma pauta aberta

    Há no meu peito
    notas musicais
    quando do Outono
    te entrego as folhas secas
    nos ramos universais
    que nos acolheram
    nos jardins florais...

    Há uma pauta aberta
    na clave de sol
    mínimas e semínimas
    nos traços horizontais
    que os meus lábios lêem
    na sede de um sopro
    que se faz arranjo musical...

    Entre colcheias e semibreves
    dançamos os solstícios
    na indelével bravura
    de um maestro
    no comando da partitura
    com a orquestra concentrada
    nos ancestrais arquejos
    que os suspiros amantes
    cantam sempre em Primavera!

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  • Anexo indisponível
    Este anexo pode ter sido eliminado ou a pessoa que o partilhou pode não ter permissão para o partilhar contigo.

    Não gosto ·  ·  · há 23 horas
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  • “Escute o que diz a sua alma.
    Leve a vida com um pouco mais de calma, deixe que ...Ver mais


    Não gosto ·  ·  · Ontem às 16:54
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  • A CAMPANHA ESTÁ LANÇADA!
    No dia de Hoje, tire alguns momentos para irradiar amor...Ver mais


    Não gosto ·  ·  · Ontem às 16:49
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  • Não gosto ·  ·  · Ontem às 7:50






  • Jesus nota que as palavras de Moisés continuavam a encher a boca dos seus contemporâneos, mas não criavam raízes na alma nem no coração. Alimentavam uma religião de magia verbal que ele denuncia: “nem todo o que diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos céus, mas só aquele que faz a vontade do meu Pai”. Acabará por fundamentar esta denúncia: “Os doutores da Lei e os fariseus instalaram-se na cátedra de Moisés. Fazei, pois, e observai tudo o que eles disserem, mas não imiteis as suas obras, pois eles dizem e não fazem”. Até aqui, esta recomendação vai servir para um adágio popular que atravessará os tempos: “Bem fala Frei Tomás! Fazei o que ele diz, não o que ele faz”. Jesus não fica por aí. Ataca os doutores e os fariseus pelas perversões interpretativas que acabam por “colocar fardos pesados e insuportáveis aos ombros dos outros, mas eles nem com um dedo lhes tocam”. Este é o resultado da substituição da complexidade da experiência humana, religiosa e cristã pela invocação de Deus em vão.
    Tudo pode ser pervertido. Quando Moisés, para garantir, no quotidiano, a presença da palavra divina, propõe, “atai as palavras à mão como um sinal e que sejam como um frontal entre os vossos olhos”, em vez de um alerta, de um aviso, forja-se um amuleto, um instrumento de propaganda, de auto-elogio, anulando a simbólica religiosa: “Tudo o que fazem é com o fim de se tornarem notados pelos homens. Por isso, alargam as filactérias e alongam as orlas dos seus mantos. Gostam de ocupar o primeiro lugar nos banquetes e os primeiros assentos nas sinagogas. Gostam das saudações nas praças públicas e de serem chamados 'mestres' pelos homens” (Cf. Mt 23, 1-7).



    É um exercício demasiado simples – e algo perverso – ler os textos do Novo Testamento, deslocando o olhar e o ouvido para “aquele tempo”, para há dois mil anos, observando o ridículo do ritualismo que Jesus critica na religião dos seus contemporâneos, ou procurando equivalentes no judaísmo rabínico mais ortodoxo. Se não se tratar de uma investigação histórica – que tem as exigências do seu método –, mas apenas de uma apreciação religiosa, estaremos a reproduzir o farisaísmo que Jesus criticou. Nesse caso, o Evangelho deixa de pertencer às novidades que permanecem novas como se fosse criado neste instante, deixa de nos interpelar, de nos pôr em causa, de ser uma luz sobre o nosso tempo e sobre as nossas motivações, para se tornar um véu sobre a realidade.
    Criticamos aquele legalismo ritual e os seus amuletos, mas, por vezes, repetimos e criamos algo ainda mais ridículo: certas normas jurídicas e litúrgicas, rituais, roupas de papas, bispos, padres, religiosos, alfaias litúrgicas, imagens, “devoções”, etc., como se tudo isso fosse vontade de Deus. Jesus critica os amuletos que substituíam a responsabilidade ética e social, a rectidão do coração e das obras.
    Na literatura teológica, uns perguntam qual será o futuro do cristianismo; outros, qual será o futuro da religião; outros ainda, qual será o futuro da Europa, mas agora, todos perguntam qual será o futuro de um mundo em convulsão. Como diria Ortega y Gasset, “o que verdadeiramente se passa é que não sabemos o que nos passa”.
    Tanto as religiões como as ideologias seculares não podem evitar a pergunta: que se passa connosco? Que bases e que desígnios presidem às nossas construções?
    No Carnaval, as máscaras servem para cobrir as máscaras de todos os dias. A Quaresma deve servir para as arrancar e encontrar o Rochedo que nenhuma tempestade poderá abalar.

    (Cf. Opera Omnia Raimon Panikkar, Fragmenta, Barcelona)

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    Afetos


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    Boa tarde Maria Inês.
    O meu nome é Magaly Delgado e sou amiga do Élder Luis Magalhães.
    Gostaria muito que me aceitasse também como amiga. Estou indo hoje para Portugal, namoro um português chamado ..., que mora no Porto, próximo do Luís, que mora em Braga e ambos estaremos com ele. Fico muito feliz de saber que somos brasileiras e que partilhamos da amizade de uma pessoa tão maravilhosa quanto o Luis Magalhães. Sabe eu e ele conversamos muito sobre o Caminho. E como seres que somos, cada um escolheu o seu. E eu e o Luis conversamos muito sobre isto. Sobre como Caminhos que divergem entre si, pode ou poderia levar até D'us entende? Estudo Kaballah e foi o que me aproximou dele. Como um homem com tanto conhecimento das leis pode ser um Calvinista? Mas o melhor foi que conheci antes de um Calvinista o próprio Google em pessoa kkkkkkkkk. Muito inteligênte e de grande conhecimento este nosso amigo. Então ficaria feliz se me quisesse também como amiga. Saiba que te dicarei todo afeto, amizade e respeito que dedico a ele e aos meus outros amigos também. Eu e o ... quando formos à cidade de Braga para conhece-lo, tentarei que este nosso amigo, saiba mais sobre os Caminhos Misticos (coisa que duvido, pois ele sabe tudo) mas quem sabe não é mesmo? Bom minha flor fico feliz de estar aqui prozeando, mas as malas me esperam.
    Bjos e Fica na paz de D'us.
    Magaly Delgado
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    Nos dias hodiernos, os judeus ortodoxos, nas suas preces matinais diárias, recitam "Abençoado seja D-us, Rei do universo que não nos fez mulher". As mulheres, por outro lado, agradecem a D-us cada manhã por "me fazer de acordo com a Tua vontade". Outra oração encontrada em muitos livros de preces judaicas: "Louvado seja D-us que não me criou gentio. Louvado seja D-us que não me criou mulher. Louvado seja D-us que não me criou ignorante".
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    Ao longo dos últimos duzentos anos, a exegese histórico-crítica do Novo Testamento passou por diversas fases, na procura da identidade de Jesus. Depois de um período de desalento, as investigações do contexto económico, social, cultural, religioso e político em que Jesus nasceu e cresceu, desenhavam a sua identidade a partir das rupturas com esse mundo. A “terceira vaga” de estudos concentra-se no que há de mais óbvio, embora pouco sublinhado: Jesus é um judeu da Palestina, mais ou menos marginal, dentro de um judaísmo em crise, com várias tendências e grupos (saduceus, fariseus, zelotas, essénios terapeutas, baptistas, etc.), sob ocupação romana.
    Alguns temas e figuras desse judaísmo agitado – mestre (rabino), profeta, pregador apocalíptico, terapeuta, etc., – surgem como índices de continuidade e de afinidade de Jesus com certas correntes do seu tempo. Se antes predominava uma identidade de Jesus construída a partir das suas rupturas, esta tende agora a diluir-se, sem que seja possível perceber porque razão foi Ele morto pelo poder romano, mas, aparentemente, para serenar clamorosas exigências judaicas. O que haveria de insuportável nesse Nazareno?
    Em vez do paradigma do pêndulo - passagem de um extremo ao outro -, ignorando a resistência da realidade nas suas diversas expressões, é preferível insistir no modelo dialéctico do tear que integra sempre os extremos no tecido de novas sínteses. É em continuidade com a tradição, sempre problematizada, que Jesus introduz uma novidade na aventura humana, que cada vez me espanta mais e que encontramos nas narrativas dos Evangelhos, que mostram as suas múltiplas manifestações.


    Paulo procurou sintetizar essa novidade, que recebeu dos discípulos de Jesus, mas que ele sempre reivindicou como experiência própria da presença da graça do Ressuscitado.
    Numa dessas sínteses de descompartimentação do mundo, tem uma expressão lapidar: Com Jesus Cristo não há separação entre judeu e grego, escravo e livre, homem e mulher (Gl.3.28). Podemos, hoje, observar muitos outros muros, construídos e em construção que, por fidelidade ao Evangelho, é preciso denunciar e abater.
    Chegámos ao século XXI como herdeiros, pouco agradecidos, dos valores da modernidade: liberdade, igualdade, fraternidade e laicidade. Parecem-me indiscutíveis as suas raízes cristãs, embora dentro e fora da Igreja, mesmo depois da Declaração dos Direitos Humanos, esses direitos continuem mais invocados do que praticados.
    Pode-se perguntar: se Jesus não tinha nenhum programa económico, financeiro e político de conquista e exercício do poder, porque razão inquietou tanto a sociedade do seu tempo? Anunciava a proximidade do Reino de Deus, de um Deus que nunca  ninguém viu. Era, no entanto, a sua experiência e convívio com o Mistério inabarcável que O impedia de olhar “só para cima”. A sua experiência de Deus impunha-lhe “olhar para o lado”, para os excluídos do convívio humano, por razões religiosas, económicas, culturais ou políticas. A sua fé, a sua oração e os seus retiros não lhe fechavam os olhos. Abriam-no para as alegrias e sofrimentos do mundo.

    Seja como for, João Baptista, o austero e pregador de austeridade, desencorajou o próprio Jesus Cristo que escolheu outro caminho. Ele veio para que “tivéssemos vida e vida em abundância”.
    Faz hoje 50 anos da convocatória do Concílio do Vaticano II, a grande revolução traída da Igreja do século XX. A Gaudium et Spes, (nº 69), lembra o que a civilização, em que vivemos, despreza: “Deus, destinou a terra e tudo o que ela contém para uso de todos os seres humanos e de todos os povos, de sorte que os bens criados devem chegar, equitativamente, às mãos de todos, segundo a regra da justiça inseparável da caridade”, da gratuidade do amor. Esta globalização é um bocado diferente daquela a que assistimos. Esta deixa quase tudo em mãos de poucos. Cava o abismo crescente entre ricos e pobres. Há cinco séculos, Frei António de Montesinos, O.P., de olhos postos nos Índios, explorados e dizimados, perguntava do púlpito aos seus conterrâneos exploradores: “E estes não são Homens?” Parece que nem Jesus Cristo nem Montesinos eram extra-terrestres.







    Carta de Einstein (1879-1955), referida por Helen Dukas, a uma criança que lhe perguntara se os cientistas também rezavam. Passo a transcrever: “Respondo à tua pergunta do modo mais simples. Esta é a minha resposta. A pesquisa científica baseia-se sobre a ideia de que cada coisa que acontece é regulada pelas leis da natureza e isto vale, também, para as acções das pessoas. Por esta razão, um cientista será dificilmente inclinado a crer que um evento possa ser influenciado pela oração, por exemplo, por uma aspiração endereçada a um Ser supra-natural. Todavia, deve admitir-se que o nosso actual conhecimento destas leis é, apenas, imperfeito e fragmentário, assim sendo, realmente, a crença na existência de leis fundamentais e omnicompreensivas na natureza permanece, ela própria, como uma espécie de fé. Mas esta última é largamente justificada pelo sucesso da investigação científica. No entanto, de um outro ponto de vista, quem quer que esteja seriamente empenhado na pesquisa científica convence-se de que há muito espírito que se manifesta nas leis do Universo. Um espírito muito superior ao do homem, um espírito perante o qual, com as nossas modestas possibilidades, apenas podemos experimentar um sentido de humildade. Deste modo, a investigação científica conduz a um sentimento religioso de tipo especial que é, na verdade, bastante diferente da religiosidade de alguém mais ingénuo”.
    As atitudes e declarações de Einstein perante a religião e as religiões, perante a afirmação ou a negação de Deus, já foram objecto de muitos estudos que não vou discutir aqui.
    Nunca aceitou que lhe chamassem ateu. Se, umas vezes, confessava que o seu Deus era o de Espinosa, outras, mostrava a diferença entre eles. As expressões, “Deus não joga aos dados”, “não põe as suas coisas em praça pública”, “é subtil, mas não é malicioso”, serviam para afastar concepções antropomórficas, uma espécie, não confessada, de “teologia negativa”.
    Nada há, na carta de Einstein, da arrogância do “cientismo”, dessa convicção de que a ciência acabará por explicar tudo e eliminará qualquer atitude religiosa. O “Universo inundado de inteligência” é demasiado vasto e complexo para ser abordado só pela investigação científica. Einstein não conhecia, apenas, a linguagem da ciência, era também um intérprete da linguagem de Mozart.
    Segundo Novallis, a oração é na religião o que o pensamento é na filosofia. Não é uma ingeniudade. É a atitude humilde de quem acolhe e agradece, de quem confessa que não é a origem de todo o bem. Rezar é sair do egocentrismo e manter-se na luz do amor: “diz-me como rezas e dir-te-ei quem és”.



    Importa, como diz o conhecido biólogo, Francisco J. Ayala, não confundir os caminhos da ciência e da religião: “a ciência procura descobrir e explicar os processos da natureza: o movimento dos planetas, a composição da matéria e do espaço, a origem e a função dos organismos. A religião trata do significado e propósito do universo e da vida, das relações apropriadas entre os humanos e o seu criador, dos valores morais que inspiram e guiam a vida humana. A ciência não tem nada a dizer sobre essas matérias, nem é assunto da religião oferecer explicações científicas para os fenómenos naturais. (…) O Deus da revelação e da fé cristã é um Deus de amor, misericórdia e sabedoria”.
    Para este biólogo, “a evolução e a fé religiosa não são incompatíveis. Os crentes podem ver a presença de Deus no poder criativo do processo de selecção natural de Darwin”.



    Sendo assim, valerá a pena perguntar: Ciência/Filosofia/Teologia: Que diálogo? Já existe uma vasta bibliografia sobre essa questão. Muitos preconceitos e confusões podem ser desfeitas no confronto de praticantes destas diferentes disciplinas. Estamos num mundo marcado pelas ciências sem que as interrogações filosóficas tenham perdido toda a pertinência e sem que a teologia possa ser eliminada do interior da experiência religiosa. A dificuldade desse confronto é a abstracção, pois, a ciência, a filosofia e a teologia conjugam-se no plural, o que não é indiferente para um diálogo. Por outro lado, a selecção destas três formas de conhecimento deixa de fora o mundo da vida, das expressões simbólicas, da estética e da ética, intrínseco à religião e não só.
    Se não desejamos que uma sociedade viva polarizada, apenas, pelo confronto político-partidário, é importante desenvolver encontros e debates acerca da maneira como cientistas,  filósofos, teólogos, artistas são configurados, não só pelas suas especialidades, mas também pelas especialidades dos outros.
    Ao reconhecerem a aliança entre a transcendência de Deus e a dignidade humana, os teólogos marcados pelas diferentes linguagens das ciências, da beleza e da ética, não poderão consentir na idolatria dos poderes da economia, da finança, da política, da religião, da técnica. Aliás, a experiência cristã situa-se no pressuposto da abertura do céu à terra, da terra ao céu e dos grupos humanos entre si, a nível local e global. Foi esta a experiência espiritual de Jesus Cristo e da Igreja do Pentecostes. Esta é, também, a nossa tarefa.

    Não se julgue que os debates teológicos do século IV distraíssem as Igrejas das questões sociais. Segundo a versão árabe, o cânone 75 do Concílio de Niceia (325) pede aos bispos para construírem, em cada cidade, hospícios para os pobres, enfermos e forasteiros. A fé que abre para o alto inclina para o próximo. Ficaram famosas as iniciativas de S. Basílio, apresentadas por Gregório de Nazianzo (Discurso 43), no terceiro aniversário da sua morte: “É admirável [em Basílio] a benevolência, a assistência aos pobres, o amparo aos enfermos. Saí um breve período da cidade e observai a cidade nova, erário de piedade, depósito comum dos ricos, onde estão recolhidos, por meio das suas exortações, não só as riquezas supérfluas, mas também as necessárias, que mantêm longe de si a traça, não atraem ladrões, evitam a concorrência da inveja e a corrupção do tempo”. Muito mais meritória do que qualquer outra empresa, para Gregório, é a dedicada aos leprosos: “diante dos nossos olhos já não temos o espectáculo atroz e miserável daqueles homens tornados cadáveres, mesmo antes do seu fim, com vários membros perdidos, enxotados da cidade, das casas, das praças, das termas, dos seus mais caros amigos, agora mais reconhecíveis pelo nome do que pela fisionomia. Já nem se apresentam às assembleias e aos encontros, acompanhando-se dois a dois, pois já nem compaixão há para a sua doença, tornando-se, pelo contrário, odiados; só podem lamentar-se se ainda lhes restar a voz”.
    Basílio, descendente de nobres, brilhante e famoso, mudou esse cenário com a instituição da Basiliade para as doenças consideradas repugnantes. Não olhava para os doentes apenas com palavras, abraçava-os como irmãos. O seu gesto era uma exortação silenciosa e eloquente.
    2. Na Idade Média, perante uma Igreja escandalosamente rica, as Ordens Mendicantes, sobretudo a de S. Francisco e a de S. Domingos, procuraram mostrar que não basta socorrer os pobres e os doentes. Recorrendo à imagem da comunidade apostólica (Act 4, 32-34), acolhem movimentos de protesto e formam comunidades de partilha total dos bens, seguindo, na pobreza, o Cristo pobre.
    De facto, até à revolução industrial, preparada desde a Idade Média e desenvolvida no século XVIII, o quotidiano da economia era marcado pela penúria. Só os senhores feudais, os príncipes, os grandes proprietários lhe podiam escapar. Os modos e os níveis de vida dos séculos XIX e XX transformam-se, mas não chegaram à euforia. Nem todos participavam no grande banquete e a abundância era atingida por crises periódicas, de mais breve ou mais longa duração.
    O pior da crise actual não são as desgraças que já provocou. Pior é a cegueira de quem não quer ver a falência do capitalismo financeiro e desregulado, de raiz anglo-saxónica, com sede em Wall Street e na City de Londres e ramificações nas principais praças financeiras do mundo. Importa fazer objecção de consciência à economia de jogos financeiros e promover uma economia orientada para a construção do bem comum.
    3. Nada disse, ainda, que justifique o título desta crónica. Não sou o seu autor. Vem na Primeira Carta a Timóteo, um escrito dos finais do primeiro século da era cristã, ou dos começos do segundo, de influência paulina. Aí, diz-se, literalmente, o seguinte: “a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro” (1Tm 6, 10). Com retórica ou sem ela, é a tomada de posição de um líder da comunidade cristã, baseada num célebre aforismo de Jesus: não se pode servir a Deus e ao Dinheiro (Lc 16, 13). Comentário do narrador: os fariseus, amigos do dinheiro, riam-se dele.
    A referida Carta está cheia de exortações a novos e velhos de todas as condições. Avisa os ricos que só podem encontrar o tesouro incorruptível da verdadeira vida, se substituírem a idolatria da riqueza pelo gosto da partilha.
    Se o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, onde encontrar a raiz de todos os bens? Na simbólica da Santíssima Trindade reina a “economia do dom”. Não andaremos, nós cristãos, esquecidos de que fomos criados à sua imagem? 

    Jesus, ao contrário de Buda, não é pela extinção do desejo, até o excita. Prega o reino do infinito amor. Exige, no entanto, a regeneração das raízes dos nossos apetites desencontrados, implicando a conversão e a hierarquização dos nossos desejos.
    O Nazareno levou muito tempo a encontrar o seu próprio caminho e, quando pensava que já o tinha encontrado – foi iniciado e baptizado por João Baptista – sentiu-se surpreendido, ao entrar em oração, por uma Voz que o fez estremecer: “Tu és o meu Filho muito amado”. A partir daí, o rumo da sua existência mudou radicalmente. Não interpretou tal revelação como um privilégio, mas como uma missão que o levou a arriscar tudo: mostrar, por palavras e gestos, que o seu Deus nada tinha a ver com uma religião e uma prática social que colocava uns à mesa e outros à porta. Foi por isso que escolheu todas as más companhias, contrariando as normas religiosas e morais mais prestigiadas e aprovadas.
    3. Não era o que os grupos dominantes esperavam. Queriam alguém que fosse um líder, um messias que, em nome de Deus, resolvesse, miraculosamente, as questões económicas, políticas e religiosas com que se debatia um povo dominado. Jesus não foi insensível a essa esperança. Há, porém, uma narrativa, na qual, Jesus interpreta essas tentações como diabólicas, isto é, que o separavam do sonho que o habitava: subverter tudo aquilo que gerava a exclusão das mulheres, dos classificados como pecadores, dos doentes, dos pobres, dos estrangeiros, dos que estavam sempre a mais (Lc 4). Era o sonho infindável de reunir todos os filhos de Deus dispersos, como dirá S. João (Jo 11, 52)
    Se Jesus venceu essas tentações que o acompanharam até à morte, elas eram o próprio desejo dos discípulos em luta pelo poder. Conta-se, no Evangelho de S. Marcos, que era, precisamente, essa a questão que os movia e impedia de entender o caminho do Mestre que, afinal, seguiam por equívoco. A questão azedou-se tanto que, um dia, dois foram ter com Jesus e disseram claramente ao que andavam: quando tomares conta do poder, queremos ser os primeiros da lista. Acontece que os outros dez ficaram indignados com esta jogada de antecipação. Jesus foi obrigado a uma reunião de emergência e declarou-lhes que escusavam de insistir em o desviar do seu rumo. Eram eles que tinham de mudar: aquele que quiser ser o primeiro, seja o último e ponha-se ao serviço de todos porque ele, Jesus, também não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida por todos (Mc 4 – 10).
    Calaram-se, mas não acreditaram no que ele dizia: se Deus estava com ele, tinha de ir à luta e Deus não o deixaria mal.
    Esta semana é, realmente, santa pela fidelidade de Jesus. É criminosa por quem o assassinou, mediante uma farsa judicial. É, sobretudo, a semana da triste figura dos apóstolos, dos Doze, nosso retrato, quando criticamos o comportamento dos políticos e reproduzimos, no interior da Igreja, os esquemas e as atitudes que Jesus reprovou.
    Para crentes ou não, as narrativas do Novo Testamento, que contam o que se passou, no Jardim das Oliveiras, na prisão e no desfecho do processo de Jesus, são a maior parábola da humanidade a que pertencemos.
    Jesus era e é o ser humano com temperatura de Deus e um sonho que nem a cruz conseguiu quebrar.

    IHU On-Line – Levando em conta o atual contexto de mundo e de Igreja, quais são os desafios e as perspectivas para o discurso cristão nessa pluralidade?
    Paul Valadier – Nossa época vive tensões e dificuldades específicas. Tais tensões e dificuldades não me parecem provir principalmente das ciências, contrariamente a outros momentos de grandes desenvolvimentos dessas ciências, muitas vezes contra a fé estabelecida (séculos XVIII e XIX, por exemplo). Por certo, a biologia, a genética ou as nanociências não deixam de levantar questões vastas e difíceis: não somente para a fé, mas também para qualquer homem ou mulher que se preocupe – ou ao menos se interrogue – com as transformações que tais ciências e tecnologias lhe preparam, afetando até mesmo sua mais profunda identidade. No entanto, trata-se menos de contestar essas disciplinas enquanto tais do que se questionar sobre o alcance humano – portanto, ético e moral – de suas empreitadas: Aonde levam? Que tipo de humanidade elas nos preparam? Será que não correm o risco de provocar uma manipulação do ser humano absolutamente temível para o futuro do homem neste planeta?
    Tais questões dizem respeito a todo mundo, não somente aos crentes. Elas requerem uma grande vigilância ética, e, a meu ver, nesse ponto, a tradição católica não está mal situada para ajudar nossas consciências a não se deixarem levar pelo cientificismo e a não aceitarem todo e qualquer pretenso “progresso” como um avanço certo da humanidade. Interrogar-se em vez de aplaudir ingenuamente é, afinal, uma atitude ética de grande alcance, desde que isso seja feito com conhecimento de causa, e não formulando ditames cegos em relação às realidades envolvidas.

    IHU On-Line – Tendo em conta a contemporaneidade, em que se sobressai uma cultura do plural, da fragmentação, do relativismo, do niilismo? Numa sociedade que se pauta em princípios como os da autonomia, da democracia, da pluralidade, qual o lugar e a tarefa da fé cristã?

    Paul Valadier – São antes os costumes e suas evoluções que me parecem causar mais problemas à Igreja Católica e, aliás, aos crentes em geral. Uma sociedade pluralista traz em si os riscos de fragmentação, de dispersão; ela induz quase fatalmente ao relativismo, em que cada um é remetido a si mesmo, isto é, conta com sua solidão, para decidir sobre suas escolhas de vida. Essa “centragem” em si mesmo decorre também da suspeita que têm nossas sociedades em relação às instituições religiosas, consideradas sem crédito ou objeto de desconfiança. Pensando estarem emancipando-se dessas autoridades, muitos de nossos contemporâneos acabam, na verdade, sem bússola ou então seguem aquela do partidarismo, do gregarismo, do conformismo em relação às modas, às correntes de pensamento, às injunções de diversos grupos de pressão. Simplesmente, são também manipulados pela publicidade e pelo apetite de consumo (que, aliás, os arruínam, incentivando-os a se endividarem indiscriminadamente, como vimos na recente crise financeira mundial). O individualismo largamente compartilhado nas sociedades ditas desenvolvidas leva a pôr os interesses próprios em primeiro plano, de modo que as perspectivas do bem público ou dos interesses coletivos enfraquecem, ou até mesmo perdem qualquer pertinência.
    Ora, tal atitude é diretamente oposta às perspectivas evangélicas que solicitam que o indivíduo “se perca” para “se encontrar”, para não dizer que entram em contradição com as perspectivas mais tradicionais da regra de ouro (não fazer a outrem aquilo que tu não gostarias que te fizessem, ou na versão positiva do Evangelho).

    Tentações niilistas

    Assim, a Igreja não deve renunciar a propor sua mensagem altruísta; ela deve supor que, com o passar do tempo, o individualismo se torna sufocante, os seres humanos não conseguem mais bem viver fechados em si mesmos. Ela deve, pois, proclamar essa mensagem tanto no nível da sexualidade e das relações entre homens e mulheres (nenhum amor é possível sem sacrifício de si mesmo e sem abertura ao Outro) como no nível da solidariedade internacional (nenhuma nação pode “salvar-se” sozinha, esquecendo as solidariedades mundiais) e do respeito ao nosso meio ambiente e à natureza em geral.
    Por certo, a Igreja precisa fazê-lo com credibilidade. Não amenizando as exigências de uma vida verdadeira e feliz, mas adotando um discurso de encorajamento, de esperança, de élan vital, como faz Jesus com notável constância. Não condenando ou designando o mal para melhor confundi-lo, mas convidando o indivíduo a erguer-se, a tomar as rédeas, a ir em frente, a enfrentar os fracassos e a morte, partindo do pressuposto de que o grão que morre (aparentemente) dá fruto em longo prazo. Se obviamente não é fácil vencer as tentações niilistas, pelo menos não devemos encorajá-las, arrasando nossos contemporâneos com palavras pessimistas, condenações inflexíveis, tampouco referindo-nos insensatamente às nossas sociedades como “culturas de morte”. Se esse diagnóstico catastrófico fosse verdadeiro, o niilismo, que, na realidade, inspira secretamente a expressão “cultura de morte”, teria triunfado. E a esperança evangélica da mecha ainda acesa estaria extinta.

    Utopias mortíferas

    Inversamente a essas tendências mórbidas, a fé cristã pode desempenhar um papel essencial numa cultura pluralista, se ela não tiver a pretensão de propor uma Verdade sobrepujante, e sim uma mensagem de automobilização positiva, fecunda, chamando cada indivíduo a ser criador e afirmador (numa linha, paradoxalmente, bastante próxima deNietzsche, que bem diagnosticou os riscos de arrasamento das sociedades pluralistas e complexas). Se o ser humano é à imagem e à semelhança de um Deus criador, como não ser criador ele mesmo, se mobilizar suas aptidões e obrigar-se a colaborar com o maior número com vistas a um mundo mais justo e pacífico? Sem crer que o futuro reserva dias melhores, tampouco crer naquelas utopias mortíferas que muito marcaram o século XX, mas empenhando-se aqui e agora a fazer com que a violência recue, mesmo sabendo que ela sempre ressurgirá sob novas formas!

    IHU On-Line – Como percebe o Mistério da Igreja hoje, a partir de uma leitura de Inácio de Loyola? Que contribuições ele tem a dar ao mundo de hoje?

    Paul Valadier – É justamente por isso que a espiritualidade inaciana encontra sua plena atualidade. Contra o humor moroso de um jansenismo latente e do rigorismo moral – estes tão funestos para a difusão da fé cristã, mas sempre presentes em diversas posições teológicas ou filosóficas, inclusive no ensinamento moral do Magistério romano – essa espiritualidade convida o homem a abrir-se para o desejo de Deus, para si e para o mundo, mobilizando sua afetividade, suas capacidades intelectuais e sua vontade para descobrir o que deve ser feito aqui e agora. Ela defronta cada indivíduo com sua vocação própria e única, mergulhando-o, portanto, na atualidade histórica em que a graça de Deus o chama a ser, em vez de cair no vazio (naquele do pecado), a viver, ou de perecer, conforme a antiga sabedoria bíblica. Aquele que experimentou os Exercícios Espirituais de Santo Inácio descobriu a força e a pertinência de uma espiritualidade que não arrasa nem condena, mas convida a dizer sim à graça de Deus, que chama cada indivíduo, concretamente, a responder da sua maneira singular e única (carisma de cada cristão no Corpo de Cristo, segundo a grande visão de São Paulo).
    É, sem dúvida, desse modo que se pode melhor vislumbrar o Mistério da Igreja. Não se trata, aqui, de opor uma Igreja histórica e humana, portanto, pecadora, a uma Igreja santa, invisível e oculta, misteriosa. O ser humano que é chamado à sua divinização, para falarmos como os Padres Gregos, é o homem em suas tentativas e erros, ou mesmo em suas fraquezas, que é solicitado pela graça divina e que responde a ela quando obedece ao seu desejo de viver e de viver bem (de maneira santa), desejo este que está profundamente arraigado nele, pois vem de Deus mesmo. O Mistério da Igreja está justamente no fato de que os pobres homens que somos nós sejam chamados desde já a “serem santos como Deus é santo”. A Igreja é a reunião misteriosa de todos aqueles e de todas aquelas que se deixam animar pelo Espírito de Cristo, que os busca lá onde eles estão, logo, em sua humanidade pecadora, hesitante, medrosa, fechada em si mesma, mas chamada à santidade!

    Estruturas eclesiásticas esclerosadas

    Todavia, deveria ser óbvio que, mesmo sem ter de conformar-se com o mundo atual, a Igreja não pode anunciar a mensagem da qual é portadora se ela mesma não se deixar marcar pelo Evangelho. Como na época de Inácio, mas de formas diferentes, a Igreja precisa reformar-se, converter-se, abrir-se para o Espírito. Isso é, na verdade, uma banalidade. Mas suas consequências são significativas. Inácio inventou meios para uma transformação da Igreja, fazendo um apelo à missão apostólica de um papado considerado irreformável por outros (Lutero). Nossa situação não é mais a mesma, mas, como Inácio, convém certamente chamar a Igreja a cumprir a sua própria missão. Esta foi muito significativamente esclarecida e atualizada pelo Concílio Vaticano II.
    Como anda a abertura às grandes decisões desse Concílio? Os questionamentos sobre mentalidades e estruturas eclesiásticas esclerosadas continua? Não se está presenciando antes uma preocupante restauração, incentivada pelas mais altas autoridades da Igreja? Restauração imposta que, como vemos nos Estados Unidos, ameaça religiosas devotadas que dedicaram uma vida inteira aos outros e são amplamente reconhecidas pela opinião pública. Restauração sorrateira, quando a hierarquia romana incentiva as forças mais tradicionais e fechadas entre os fiéis ou no seio da sociedade.
    Ora, a Igreja Católica só terá credibilidade se admitir em seu seio um justo pluralismo, segundo sua longa tradição, que sempre aceitou a vasta pluralidade das liturgias (não só no Oriente, mas também no Ocidente antes do Concílio), assim como admitiu espiritualidades diversas e ordens religiosas de estilos de vida tão diferentes! Aceitar tal pluralismo pressuporia, da parte da hierarquia, uma escuta deliberada do povo de Deus, movido pelo Espírito, abandonando a arrogância, muito romana, daqueles que creem estar acima, quando, em princípio, são servidores. Uma revolução copernicana como essa é improvável de imediato. No entanto, é uma condição de sobrevivência do catolicismo num mundo pluralista que suporta cada vez menos o autoritarismo de uma minoria apartada das raízes vivas da vida cristã e, por esta razão, cada vez menos “reconhecida” pelos fiéis, sem falar das outras. Para tanto, precisamos de outro Inácio, se quisermos evitar o surgimento de outro Lutero.
    Por Márcia Junges e Luís Carlos Dalla Rosa

    1. Não se lêem os textos do Evangelho como tratados de qualquer ciência ou técnica. Como textos simbólicos que são, foram escritos para dizer outra coisa. Quando, hoje na Missa, S. Mateus põe na boca de Jesus as vantagens de construir sobre a rocha e os inconvenientes de edificar sobre a areia, ninguém espera, dali, um manual de construção civil. Mas que poderá e deverá esperar? Qual é a construção sobre a rocha a que Jesus se refere?
    De uma forma imediata e usando a resposta mais convencional e disponível, poderíamos dizer que é a construção da nossa vida sobre a Palavra de Deus, supostamente contida na Bíblia. Aliás, a primeira leitura pertence a um sermão de Moisés, o grande profeta: “As palavras que vos digo gravai-as no vosso coração e na vossa alma, atai-as à mão como um sinal e sejam como um frontal entre os vossos olhos… Procurai pôr em prática os preceitos e normas que, hoje, vos proponho” (Dt 11, 18.26-28.32). São palavras que se tornam corpo na vida e fazem caminhar na justiça.
    Para além do que a biologia ou as neurociências investigam acerca da condição humana – e sobre isso não se deve pedir nada à Bíblia ou à teologia – a metáfora “Palavra de Deus” significa que nós somos, de forma misteriosa, a preocupação de Deus e que o ser humano, animal de palavras, pode escutar aquelas que o interrogam sobre o sentido radical da vida: de onde vimos, para onde vamos e que andamos aqui a fazer. Sob o ponto de vista bíblico, o ser humano só desenvolve a sua humanidade na relação com a transcendência, na re-ligação com Deus, com os outros e, de forma harmoniosa, com a natureza, numa religião cosmoteândrica, na linha de Raimon Panikkar (1).

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